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Cirurgia de correção nos pés

Por que os pés podem se deformar na paralisia cerebral?

As deformidades nos pés estão frequentemente relacionadas ao desequilíbrio muscular gerado pela espasticidade. Nas crianças com paralisia cerebral com capacidade de marcha (níveis GMFCS I, II e III), a hipertonia muscular pode alterar os braços de alavanca do pé e do tornozelo, favorecendo padrões de pisada inadequados que, progressivamente, impactam as estruturas ósseas e tendíneas.

Mesmo nas crianças com maior comprometimento funcional (níveis GMFCS IV e V), as deformidades nos pés podem causar dor, dificultar o uso de calçados e comprometer o posicionamento em cadeira de rodas. O acompanhamento ortopédico regular é importante para todos os pacientes com PC, independentemente do nível funcional.

Quais benefícios a correção pode proporcionar?

Quando bem avaliada e indicada, a correção das deformidades nos pés pode proporcionar:

  • Maior estabilidade no apoio e melhora do equilíbrio
  • Aumento das distâncias percorridas
    Alívio de calosidades dolorosas
  • Contribuição para a prevenção da artrose precoce
  • Melhor uso de calçados e órteses
  • Redução do gasto energético na marcha
  • Diminuição do risco de quedas

Principais deformidades e possibilidades de abordagem

Pé equino O pé equino é caracterizado pelo apoio predominante na ponta dos dedos, com o calcanhar elevado, e pode decorrer da hipertonia e do encurtamento da musculatura posterior da perna. O planejamento de qualquer abordagem considera o tipo de paralisia cerebral, a idade da criança, o exame físico articular e, quando pertinente, os dados da análise tridimensional da marcha. Pé plano flexível O pé plano valgo caracteriza-se pela ausência ou redução do arco plantar medial, sendo a alteração de pé mais frequente na infância. A maioria dos casos é assintomática e pode não requerer intervenção. Quando há dor ou comprometimento funcional relevante, as possibilidades terapêuticas são avaliadas individualmente conforme deformidade, idade e sintomas presentes.

Pé plano rígido (coalizão tarsal) Nem todo pé plano é flexível. A coalizão tarsal — fusão de dois ou mais ossos do tarso — pode causar rigidez, dor e limitação funcional. Quando identificada, a avaliação especializada é fundamental para definir a abordagem mais adequada a cada situação.

Hálux valgo (joanete) O hálux valgo é o desvio lateral do primeiro dedo do pé. O momento e a forma de abordagem são definidos caso a caso, levando em conta o estágio de crescimento, a presença de comprometimento neurológico e as características individuais do paciente.

Pé cavo varo O pé cavo é caracterizado por arco plantar excessivamente elevado. Quando avaliada a necessidade de abordagem, o objetivo é melhorar a distribuição de carga ao longo do membro, reduzindo o impacto sobre a pele e as articulações. O planejamento é sempre individualizado conforme as características de cada caso.

Pé varo e adução Em crianças com PC com capacidade de marcha, pode ser observado um padrão de inversão do pé durante a fase de balanço. Quando clinicamente relevante, diferentes abordagens cirúrgicas podem ser avaliadas para corrigir o desequilíbrio dinâmico da marcha, sempre a partir de avaliação detalhada.